Thildes: memória e pioneirismo no movimento GLBT no Amapá

Thildes: memória e pioneirismo no movimento GLBT no Amapá

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A publicação do estudo aqui apresentado, é uma espécie de resgate
do estudo de caso realizado entre 2006 e 2007 com a direção do Grupo
das Homossexuais Thildes do Amapá e apresentado como pesquisa para
a obtenção do grau de bacharelado e Licenciatura em Ciências Sociais. A
distância que nos separa do contexto da época, permite ao leitor olhar
pelo retrovisor da estrada longa pelos direitos conquistados pelos grupos
minoritários até aqui.
Essa parte da história amapaense ficou segregada por muito tempo,
pois a convivência do período de estágio, na então sede do Ghata e, o
contato direto com as lideranças, que também são ícones históricos, deume panoramas irremediáveis.
Até aquela época não havia sido feito qualquer pesquisa acadêmica
do papel do grupo ou um histórico de movimento homossexual, o que
demonstra a invisibilidade inclusive pela academia. Certamente omitido
até mesmo por pessoas que, de alguma forma, dependiam da existência
daquele grupo para que seus direitos também fossem acolhidos. E mesmo
na oportunidade acadêmica, não se importaram em trazer a público a
existência de mulheres, no Amapá, que dedicaram anos de suas vidas para
a questões que implicavam diretamente a essa parcela da população.
As Thildes, surgiram como uma espécie de “guarda-chuvas aglutinador”
para a viabilidade e visibilidade não só das lésbicas, como de gays, bissexuais
e travestis. Porém, antes de ser institucionalizado, era nos guetos: boates
e salão de beleza, entre outros, por exemplo; os lugares de articulações,
o que demonstra característica das minorias à organização para resolver
as demandas das identidades que surgiam.
O desenvolvimento da pesquisa fez reviver memórias esquecidas e de
seus personagens, que de uma maneira e outra, foram fundamentais para
lançarem-se e sem se importarem com os preconceitos e opressões que
viveram e conviveram durante o período do regime militar e pós regime,
e com a abertura democrática até a proclamação da Nova Constituição,
em 1988. Certamente porque o medo, resultado dessa opressão, era um
retrato amarelado pelo tempo, mas que ainda estava fixado nas paredes
de suas vidas e nas cicatrizes do corpo e da alma.
O Ghata se insere nos movimentos sociais que transformam as
necessidades em vozes que estremecem as estruturas do Estado, na busca
por políticas públicas não incluídas, e naquele momento ausentes, o que só ratifica quão árduo foram os caminhos pelo respeito e reconhecimentos
de seus direitos.
O estudo convida à reflexão histórica por épocas distintas, permitindo
compreender que a homossexualidade era parte natural do cotidiano, até
que surgiram as mudanças e o controle da sexualidade e da moralidade,
embebidos pelas regras e dogmas advindos da Idade Média. Em seguida,
identifica-se o aprisionamento do corpo e sua rotulação como doença ou
mesmo criminalização pelo aparato do Estado, que recusava reconhecer
as identidades homossexuais como manifestações legítimas da própria
natureza.
A pesquisa percorre a perspectiva sociológica crítica, e não poderia ser
de outra forma. Ao teorizar sobre os movimentos sociais e, em particular,
sobre as Thildes, refletem-se as rupturas no status quo de uma sociedade
conservadora, predominantemente masculina e heteronormativa, além do
enfrentamento e da capacidade de pautar discussões na esfera pública.
Ao saírem dos guetos para as ruas, agora são vistos, notados, mas como
pessoas diferentes e, até mesmos cômicas e engraçadas. No entanto, a
tal invisibilidade somente era percebida quando exigiam a participação
política, a busca pelo respeito e de serem notados como pessoas de
direitos sociais. Ainda que, à época, o foco era a participação política e
havia a resistência no interior de cada movimento. Podemos perceber nas
entrelinhas que a dominação e repressão histórica e proposital prevaleciam.
Este livro cumpre o papel de perpetuar a história e o protagonismo
das pioneiras: as Thildes. Trata-se de reconhecer a força histórica e a
resistência de mulheres que, organizadas no GHATA, foram fundamentais
para tensionar as estruturas do Estado do Amapá, ao exigir políticas
públicas de acolhimento, visibilidade e promoção dos Direitos Humanos,
em um cenário marcado pela exclusão de gênero.
E como fio condutor que se estende por todos os momentos de lutas,
que abalaram a sociedade conservadora que teimou em aprisioná-los
na caverna do esquecimento ou do ostracismo político, não conseguiu
impedir que suas organizações institucionalizas, reivindicassem, mesmo
diante de fracassos, decepções, a possibilidade de superação e da crítica
por uma sociedade que as/os acolha e os respeitem enquanto pessoas
individuais de direitos coletivos.
A autora


Preço: R$ 20,00

POD (Print-On-Demand)

Editora: Atena Editora

Capa brochura, 96 páginas.

Categoria: Ciências Sociais / Estudos de Gênero

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